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Suspeito de ser serial killer nega que escolhia vítimas homens por serem homossexuais: ‘Mulher é difícil chamar para entrar em casa’


Thiago Soroka, suspeito de matar três homens gays em Curitiba e Santa Catarina, confessou os crimes, em depoimento à Polícia Civil, e disse que buscava quem o deixasse entrar nas casas. Suspeito de matar gays confessa crimes à polícia em depoimento
O suspeito de matar dois homens gays em Curitiba e um em Santa Catarina confessou os crimes, em depoimento à Polícia Civil, e negou que escolhia vítimas por serem homossexuais.
José Thiago Soroka foi preso no sábado (29), na capital paranaense. Ele é suspeito de ser um serial killer de homens gays. A polícia informou que ele assumiu os três crimes pelos quais é suspeito, mas ainda investiga se ele cometeu outros assassinatos.
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Ao ser perguntado pelo delegado sobre o motivo por agir somente com homens gays, José Thiago afirmou que procurava como alvo pessoas que o deixassem entrar nas casas, o que, segundo ele, ocorria com mais facilidade com homens.
Leia, abaixo, a transcrição do trecho do depoimento:
Delegado: “O por que dessa escolha por homossexuais?”
Soroka: “Na escolha, em si, não é por homossexuais. A escolha foi, em si, por quem aceitasse que eu adentrasse o apartamento, adentrasse a residência”.
Delegado: “O senhor não tratava, não fazia as tratativas, com mulheres. Só com homens”.
Soroka: “Porque, nesse aplicativo, mulher não conversa. É bem difícil, e mulher é difícil chamar o homem para entrar em casa”.
José Thiago Soroka foi preso suspeito de matar homens homossexuais em Curitiba e Santa Catarina
Reprodução/RPC
José Thiago, no depoimento, deu detalhes de como ocorreram as três mortes, em Curitiba e Santa Catarina, pelas quais é investigado, e confirmou participação em um caso de roubo e um de violência doméstica.
No interrogatório, ele explicou ao delegado como, segundo ele, matou os três homossexuais. Leia, abaixo:
Delegado: “Você deu um mata leão no Robson?”
Soroka: “Sim, senhor”.
Delegado: ” E ele morreu em decorrência do mata leão?”.
Soroka: “Sim, senhor”.
Delegado: “Após o mata leão, você não o asfixiou?”
Soroka: “Não, senhor. Eu coloquei algumas coisas nele ali, mas não foi com a intenção de finalizar ele, foi só com a intenção de parar os movimentos que ele estava fazendo”
Delegado: “Foi o senhor que matou o David Júnior Alves Levisio?”
Soroka: “Sim, senhor. A gente conversou, né. Nos apresentamos. Eu pedi que ele virasse de costas. Apliquei um mata leão nele, ele apagou e acordou. Daí eu expliquei para ele o que estava acontecendo, da situação, do meu objetivo ali. Aí ele começou a me xingar, começou a me dar socos. Eu só apertei ele de novo e ele não retornou”.
Delegado: “E o que aconteceu na sequência?”
Soroka: “Eu coloquei ele na cama dele e joguei uma manta por cima para ele não continuar fazendo o que ele estava fazendo”
Delegado: “A outra vítima, na sequência, foi o senhor Marco Vinicio?”
Soroka: “Sim, senhor”.
Delegado: Ele virou de costas e o senhor deu um mata leão?
Soroka: “Sim, senhor”.
Delegado: “Ele virou de costas, e o senhor deu um mata leão?”
Soroka: “Sim, senhor”.
Delegado: “Ele morreu em decorrência desse primeiro mata leão?”
Soroka: “Não, não. Foi a mesma situação do outro rapaz. Eu dei um mata leão nele, ele apagou. Eu expliquei para ele a situação que estava acontecendo, e ele também se negou a deixar eu sair”.
Delegado: “Então o senhor continuou com ele dominado?”
Soroka: “Sim, senhor”.
Delegado: “E daí o senhor continuou com ele dominado? Ele não escapou do senhor e daí o senhor continuou com o mata leão?”
Soroka: “Isso, eu continuei até ele apagar”.
Delegado: “Apagar, que o senhor diz, é morrer?”
Soroka: “É, o apagar é não voltar mais. Eu coloquei ele em cima da cama, estava fazendo o mesmo barulho, coloquei uma manta também”.
Exclusivo: depoimento de suspeito de matar gays
Em dois encontros que também são investigados, segundo a polícia, o suspeito não matou as vítimas após os encontros marcados por aplicativo. Um dos rapazes procurou a polícia e prestou informações que ajudaram a polícia a chegar ao suspeito.
O delegado perguntou ao suspeito qual foi o motivo para que, ao contrário de outras vítimas, não matou esse jovem. Leia a transcrição, abaixo:
Delegado: “Por que, diversamente dos outros, o senhor não o matou?”
Soroka: “Porque, desde o começo, a intenção não era entrar e matar. A intenção era entrar, subtrair o que tivesse, e sair. Ele falou que ia cooperar, não falou em momento algum chamar a polícia, não tentou me dominar, nada do tipo, ou que não fosse cooperar na situação, então eu deixei ele”.
Delegado: “O senhor não conseguiu matá-lo, não seria pela condição física dele, por ele ser grande, gordo, alto?”
Soroka: “Não, senhor. Porque a partir do momento que ele apagou a primeira vez, se eu quisesse, eu conseguiria ter, digamos assim, finalizado ele”.
O advogado de defesa de José Thiago Soroka, Rodrigo Riquelme, disse que as provas contidas na investigação confirmam que não houve por parte do suspeito nenhuma motivação ligada à homofobia ou qualquer crime de ódio.
De acordo com a defesa, o fato de as vítimas serem homossexuais foi porque o suspeito considerava mais fácil de entrar nas residências, quando convidado.
O advogado afirmou que quer que um profissional determine se José Thiago apresenta algum tipo de distúrbio mental porque esta informação é considerada essencial para a continuidade da defesa.
Outros crimes
Veja trecho do depoimento de homem suspeito de ser serial killer de gays
O suspeito, ainda no depoimento, disse à polícia que cometeu outros crimes, como roubos, anteriores aos assassinatos investigados, mas negou que tenha cometido outros homicídios.
No depoimento na delegacia, José Thiago disse também que as vítimas dos crimes não eram sempre homossexuais, mas que se reservava ao direito de não dar detalhes sobre os crimes.
Leia a transcrição do trecho:
Delegado: Antes do senhor Robson Paim, em 17 de abril, o senhor teve alguma outra situação de pessoas, homossexuais que foram vítimas do senhor, que tiveram bens subtraídos?
Soroka: Senhor, teve várias situações, mas nestes casos eu me reservo o direito e não responder.
Delegado: Teve várias situações, mas pra gente entender, vitimas fatais ou não?
Soroka: Não, senhor.
Delegado: Vítimas que tiveram os bens subtraídos?
Soroka: Sim, senhor
Delegado: Sempre homossexuais?
Soroka: Não, senhor.
Delegado: Mulheres?
Soroka: Não, senhor.
Delegado: Sempre homens?
Soroka: Sim, senhor.
Delegado: O senhor não quer relatar sobre estes fatos?
Soroka: Não, senhor.
José Thiago Soroka, até esta terça-feira, está preso na Delegacia da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Curitiba e aguarda transferência para o sistema penitenciário.
Investigação
Segundo a polícia, serial killer usava aplicativos de encontros para ir até a casa das vítimas
Reprodução/RPC
As investigações apontam que o suspeito usava aplicativos de encontros para ir até a casa das vítimas. Durante o encontro, José Tiago estrangulava os homens e deixava o local, levando pertences deles.
Segundo a polícia, os elementos do interrogatório demonstram que os crimes possuem motivação por ódio, e que o suspeito pretendia fazer uma vítima por semana.
Após a repercussão dos casos, conforme a polícia, o suspeito afirmou que não conseguia mais marcar os encontros porque a imagem dele ficou conhecida, mas alegou que chegou a dizer a uma possível vitima, durante as conversas no aplicativo, que era ele o serial killer que aparecia na TV.
José Tiago Correia Soroka foi preso neste sábado (29), em Curitiba
Polícia Civil/Divulgação
De acordo com as informações prestadas por Soroka, a polícia estima que possam haver entre 10 e 20 pessoas possam ter sido vítimas de roubos do suspeito.
Segundo a polícia, ele disse que sempre agia do mesmo modo. Se a vítima reagisse, relutasse, ele a esganava até a morte.
As investigações apontam que Soroka morava em pensões em Curitiba, e usava nomes falsos para se hospedar.
Ainda conforme a polícia, o suspeito disse que usava o dinheiro da venda dos pertences das vítimas para comprar drogas, e que buscava mudar de local na tentativa de fugir da polícia. Os policiais apreenderam com ele um celular, que será periciado.
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