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Principal causa de óbito em 2020, Covid-19 matou mais que AVC, hipertensão e pneumonia em MG

Coronavírus fez 13.858 vítimas no estado no ano passado. Apenas nos primeiros 16 dias deste mês, 2.150 vidas foram perdidas. País vem batendo recordes sucessivos de mortes por covid-19

Reuters

A Covid-19 foi a principal causa de mortes registradas em Minas Gerais no ano passado. Em nove meses, entre o dia 30 de março de 2020, quando o primeiro óbito pela doença foi confirmado, e 31 de dezembro, o coronavírus fez 13.858 vítimas no estado.

O número é 49,3% maior do que o número de mortes provocadas ao longo de todo o ano por doenças cerebrovasculares, a segunda maior causa de óbitos, com 9.277 registros. Os dados foram disponibilizados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG).

Neste ano, a situação é ainda mais grave. Com 3.505 óbitos por Covid-19, fevereiro foi o mês mais letal da pandemia em Minas Gerais até agora. Neste mês, 2.150 vidas foram perdidas até esta terça-feira (16), uma média de 134 por dia.

Na avaliação do médico infectologista Leandro Curi, o relaxamento das medidas preventivas por parte da população tem contribuído para o aumento das mortes.

“A população está, de fato, em muitos momentos, jogando a favor da Covid e contra a vida. Por mais que as pessoas estejam extenuadas, o medo da doença e o respeito pela pandemia não podem acabar, mas isso tem acontecido. Agora, ao mesmo tempo em que mais jovens estão adoecendo, nunca vimos tantas festas clandestinas acontecendo, em um momento em que pouquíssimas pessoas estão vacinadas”, afirma Curi.

O médico lembra, ainda, que o número real de mortes pode ser maior do que o registrado oficialmente. “A subnotificação é um problema muito grande no Brasil. Como nem todas as pessoas têm acesso ao exame para a detecção da Covid, não se sabe a real extensão da doença. Estamos, desde o início da pandemia, sofrendo pelo baixo número de diagnósticos reais”, diz o infectologista.

No ano passado, depois da Covid-19 e das doenças cerebrovasculares, as doenças hipertensivas foram a terceira maior causa de mortes em Minas, com 7.149 vítimas, seguidas da pneumonia (7.001) e do infarto (6.617).

De acordo com o cardiologista intervencionista e professor associado da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Bruno Ramos Nascimento, as mortes por doenças cardíacas também podem ter relação com a pandemia.

“Com a piora da pandemia novamente, o paciente começa a evitar ir ao serviço médico por medo de se contaminar, como aconteceu no pico do ano passado. Além disso, temos visto, nas redes pública e privada, os hospitais se reorganizando para atender a esse volume grande de pacientes com Covid, unidades de cuidados coronarianos acabam sendo transformadas temporariamente em unidades de atendimento a pacientes respiratórios. Às vezes, as pessoas esperam o sintoma acontecer e já chegam de forma atrasada ao serviço de saúde”, afirma o médico.

Além disso, a própria Covid-19 está associada ao aumento do surgimento de doenças cardíacas, segundo o cardiologista.

“Nas formas mais graves da Covid-19, o paciente fica todo inflamado, e isso aumenta a ocorrência de eventos como síndromes coronarianas agudas, infarto, AVC e doenças vasculares. As redes de saúde pública e privada têm que estar preparadas, porque vamos viver por muito tempo as consequências deste período em que as pessoas não estão cuidando dos fatores de risco, como diabetes e hipertensão, como deveriam”, pontua Nascimento.

Em 2019, as doenças cerebrovasculares foram a principal causa de mortes, com 9.811 registros, seguidas da pneumonia, com 9.241 óbitos.

O infectologista Leandro Curi ressalta que, para o cenário de 2021 ser diferente, com a redução de mortes por Covid-19, não há outro caminho: além da contribuição da população, é necessário avançar na vacinação para frear o coronavírus.

Até esta terça-feira (16), 384.235 mineiros receberam as duas doses da vacina contra a Covid-19, o que corresponde a 1,80% da população do estado.

“O vírus é um eterno mutante e precisa de organismos para se multiplicar. Quanto mais gente infectada, mais vírus multiplicando nos corpos e maiores são as chances de mutações surgirem e da situação piorar”, conclui.

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