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Prefeitura de Londrina troca doses de vacinas contra a Covid-19 com Curitiba para evitar suspensão da campanha de imunização


Denúncia entregue à Comissão Especial da Assembleia Legislativa do Paraná afirma que municípios trocaram 4.500 doses da Coronavac e da Astrazeneca. Secretarias municipais confirmam que troca foi realizada há cerca de dez dias. Vacinas da Astrazeneca e da Coronavac
Divulgação /Sesapi
Diante da iminência de faltar vacinas contra a Covid-19, principalmente as segundas doses de Coronavac, e ter que interromper a campanha de imunização, as prefeituras de Curitiba e Londrina, no norte do Paraná, trocaram vacinas há cerca de dez dias.
A troca, doses da vacina da Astrazeneca foram encaminhadas para a capital do estado e frascos da Coronavac foram entregues em Londrina, foi confirmada pelo secretário municipal de Saúde de Londrina, Felippe Machado. Conforme Machado, a solicitação foi feita pela administração londrinense.
“Visando não haver interrupção no esquema de vacinação, haja visto o atraso no envio de vacinas por parte do Ministério da Saúde. De comum acordo, houve a troca de um quantitativo de vacinas entre os municípios”, explicou.
A Prefeitura de Curitiba confirmou a troca de doses e disse que, à época, já tinha concluído o esquema vacinal do público que recebeu as doses da CoronaVac.
Segundo a gestão da capital, as doses restantes eram insuficientes para iniciar a imunização em um outro grupo. Por isso, aceitou a permuta de 4.440 doses com Londrina.
A troca foi registrada e oficializada no Sistema de Informação de Insumos Estratégicos, do Ministério da Saúde, de acordo com a prefeitura.
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informou que os municípios têm autonomia para administrar a vacinação nas respectivas cidades, mas que não foi notificada oficialmente sobre essa ação pelas prefeituras das duas cidades.
A Sesa ainda esclareceu que essa prática, troca de vacinas contra a Covid-19 e de imunizantes que fazem parte da rotina de vacinação, não é comum.
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Coronavac em falta
Em abril, o Ministério da Saúde admitiu que havia uma “dificuldade” no fornecimento de vacinas para aplicação da segunda dose da CoronaVac em todo o Brasil, isso porque há um atraso no envio do insumo necessário para a produção das doses pela China ao Instituto Butantan.
O laboratório está com a produção parada por falta de matéria-prima desde sexta-feira (14) .
Há uma semana, 202 municípios paranaenses estavam com a vacinação contra a Covid-19 suspensas por falta de doses da Coronavac. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), o problema atingia moradores que precisavam tomar a segunda dose e assim completar a imunização contra o novo coronavírus.
No dia 13 de maio, o Paraná recebeu 126.800 doses da Coronavac. Segundo a Sesa, parte das vacinas foi separada aos municípios para completar o esquema vacinal.
A recomendação é que a segunda dose da Coronavac seja aplicada de 21 a 28 dias após a primeira dose. Mesmo com os atrasos, o Ministério da Saúde informou que a segunda dose da vacina contra Covid-19 deve ser tomada mesmo fora do prazo.
No início de maio, o Secretaria Municipal de Saúde de Londrina mudou o protocolo de agendamentos da segunda dose para evitar a suspensão da campanha por falta de imunizantes.
Desde o dia 4, pessoas que são vacinadas com a Coronavac só podem agendar para tomar a segunda dose a partir do 28° dia após a primeira etapa, antes o prazo era de 21 dias.
Até esta terça-feira (18), 2.163.367 paranaenses receberam pelo menos uma das doses da vacina, o que representa cerca de 18,8% da população do estado.
Deste total, 1.115.184 pessoas receberam duas doses do imunizante, o que representa 9,6% dos paranaenses.
Apuração
Essa troca de doses é apurada pela Comissão Especial da Vacinação contra a Covid-19 da Assembleia Legislativa do Paraná.
Em uma reunião realizada na segunda-feira (17), os deputados estaduais, integrantes da comissão, afirmaram que receberam denúncias afirmando que Londrina enviou 4.500 doses de imunizantes da Astrazeneca para Curitiba e, em troca, recebeu a mesma quantidade da Coronavac.
A Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) detalhou que a Comissão Especial pediu informações à Prefeitura de Curitiba e à Prefeitura de Londrina com o intuito de entender se houve a troca, qual a justificativa dos municípios para tal procedimento e se o Plano Nacional de Imunização prevê esse tipo de permuta.
A Alep explicou que, no momento, não há como falar em ilegalidade ou irregularidade. É preciso aguardar os devidos esclarecimentos.
O secretário de Saúde de Londrina disse que o município vai responder aos questionamentos assim que receber o pedido de informações da Comissão.
Autonomia municipal
A Secretaria de Estado da Saúde explicou que trabalha com o desenho de quantitativos para a distribuição de doses para as Regionais de Saúde e para os municípios. Cabe aos municípios, portanto, a administração, gestão das doses e a devida notificação destas aplicações.
A pasta ressaltou a importância dos municípios terem a previsibilidade de aplicação das duas doses.
Por meio de nota, o Ministério da Saúde explicou que a recomendação é para que estados e municípios sigam à risca o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação Contra a Covid-19 e as estratégias de vacinação definidas nas reuniões tripartites – entre união e secretarias municipais e estaduais de saúde – a cada nova distribuição de doses.
No entanto, os gestores locais do Sistema Único de Saúde (SUS) têm autonomia para seguir com as estratégias locais de vacinação, conforme as demandas regionais.
A Sesa ainda esclareceu que essa prática tanto de vacinas contra a Covid-19 quanto nas vacinas de rotina.
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