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Nos bastidores, governo admite que queria polarização com PT, mas não com Lula

Avaliação é que o petista atrapalha os planos de Bolsonaro de se capitalizar entre os mais vulneráveis. Além disso, força o presidente a colocar a vacinação e o combate à pandemia como prioridade, algo que ele nunca fez. A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que tornou ou ex-presidente Lula elegível não foi comemorada pelo Palácio do Planalto mas, sim, vista com cautela. Nos bastidores, integrantes do governo admitem que sempre torceram pela polarização com o PT em 2022 – mas não com Lula como rival e, sim, um outro candidato do partido.

O governo tem monitorado os desdobramentos políticos da decisão do STF que liberou a candidatura de Lula e feito análises reservadas.

Ainda há uma expectativa no governo, segundo relatos obtidos pelo blog, que o STF dê a palavra final a respeito da candidatura ou não de Lula.

Enquanto aguarda desfechos, a primeira avaliação feita por um grupo de auxiliares presidenciais é que o ex-presidente tem autoridade para falar em temas como desigualdade social e combate à pobreza – e que isso atrapalha os planos do governo de capitalizar popularidade entre setores mais vulneráveis da sociedade, como a população que recebeu o Auxílio Emergencial.

E essa avaliação preocupa a equipe econômica: antes de Lula, já havia uma sinalização do governo de guinada para uma agenda populista. Agora, interlocutores do ministro da Economia, Paulo Guedes, temem que o governo abandone a agenda liberal para fazer frente ao ex-presidente de olho em 2022.

A segunda avaliação do grupo que acompanhou o discurso de Lula é de que o retorno do ex-presidente ao tabuleiro eleitoral põe para escanteio, por ora, partidos de centro – que têm planos de candidaturas – e força o governo a defender a vacinação e o combate à pandemia como prioridade, o que nunca foi feito pelo Planalto.

Nas palavras de um interlocutor de Bolsonaro ouvido pelo blog, o principal opositor de Bolsonaro para 2022 é o próprio presidente. “Com adversário gente grande, não há espaço para brincar de ideologia”, diz esse assessor.

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