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Moradores reúnem mais de 300 assinaturas para manter carteiro atuando em comunidade: ‘Parte da família’

Carteiro foi realocado, por um mês, para longe da comunidade onde atua há mais de 14 anos, em Cubatão (SP). Mobilização da população local fez com que profissional voltasse a atuar na região. Carteiro foi ajudado por centenas de moradores de comunidade em Cubatão, SP

Reprodução/Facebook

Moradores de uma comunidade de Cubatão (SP) se uniram em prol de uma causa nobre para eles: manter o mesmo carteiro trabalhando no bairro. Eles fizeram mutirão na web, arrecadaram assinaturas de porta em porta e se reuniram com a chefia dos Correios para alcançar o objetivo.

O carteiro Diego Igor dos Santos, de 35 anos, é escalado para entregar as cartas e encomendas dos moradores da Vila São José há pelo menos 14 anos. Ele é recebido pelos moradores dentro de casa, sabe o nome de todos os vizinhos, e contou ao G1 que entende, até mesmo, a ordem confusa de numeração das casas da comunidade.

Os moradores estranharam quando, no início do mês, as cartas demoravam a chegar. A razão dos atrasos era que Diego havia sido escalado para outra região, pelo sistema automático que calcula o roteiro dos profissionais com base na demanda.

O novo carteiro não conhecia muito bem a região como Diego, segundo contaram os moradores. Um dia, esse carteiro faltou, e Diego reapareceu na comunidade após um sumiço de quase um mês. Foi então que os moradores ficaram sabendo sobre a troca, e que o antigo carteiro estava infeliz com a mudança.

Morador publicou apelo nas redes sociais para conseguir mais apoiadores

Reprodução/Facebook

“Eu não estava trabalhando com alegria, meu rendimento caiu”, contou. Um dos primeiros a tomar alguma atitude foi o motorista Joel Silva, de 41 anos. Ele tirou uma foto do carteiro e publicou nas redes sociais, pedindo apoio na missão de ir, pessoalmente, ao chefe de Diego e pedir para que ele voltasse a ser responsável pela Vila São José.

Para isso, ele sugeriu uma coleta de assinaturas dos moradores, para endossar o pedido, que logo teve a adesão da população local. A ação de coleta dos nomes durou quatro dias, com pelo menos cinco equipes divididas pela comunidade, batendo de porta em porta e pedindo o apoio dos moradores. No fim, a mobilização rendeu, pelo menos, cerca de 300 assinaturas.

Além do abaixo-assinado, também houve mutirão de ligações para a Ouvidoria dos Correios, e os moradores conseguiram até mesmo contato com vereadores do município. “Se nada disso resolvesse, ia ter protesto em frente à agência”, revela Joel.

Mas, não foi necessário. Um grupo da comunidade foi à agência falar com o chefe dos carteiros, que entendeu a necessidade da atuação dele no bairro e o escalou de volta para atuar na Vila São José.

‘Achei que não fosse dar certo’

Diego chego a pensar que a empreitada dos moradores não fosse dar certo, mas revela que estava infeliz com a mudança. “Vi a molecadinha crescer, muitos pequenos, hoje, já são maiores que eu. Já são pai, mãe. Tenho eles como família, passo a maior parte do meu dia com eles”, conta.

Enquanto eles arrecadavam assinaturas, Diego reforçava o pedido com seus chefes. “Eu dizia que tinha muita confiança dos moradores, que, para eles e para mim, era importante continuar naquela área”, afirma. Ele diz, ainda, que se sente muito amado pela comunidade.

“Vou continuar entregando cartas na Vila São José, até quando Deus permitir”, finaliza.

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