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Médica do Siate alerta sobre caos em atendimentos de traumas em Curitiba: ‘Ambulâncias paradas por horas por falta de vagas’


Bandeira vermelha em Curitiba busca diminuir casos de Covid-19, mas também aliviar hospitais sobrecarregados com vítimas de traumas. ‘Evite ir ao hospital’, diz diretor do Hospital do Trabalhador. Médica do Siate alerta e pede para pessoas evitarem se expor a riscos de traumas
“Estamos com ambulâncias paradas por horas nas portas dos hospitais para conseguir entregar as vítimas”. Este é o relato que a médica Michele Grippa, que atende no Siate, em Curitiba, fez nas redes sociais. Ela não falava da situação da Covid-19, mas sim de outras necessidades de atendimento como traumas e problemas clínicos.
A bandeira vermelha, imposta em Curitiba, tem dupla função: tentar diminuir os números do novo coronavírus e aliviar a pressão sobre os hospitais.
Isso porque, conforme especialistas, objetivo também é o de fazer com que as situações além da Covid-19, como acidentes de trânsito, não ocorram.
Na quinta-feira (3), os hospitais da capital paranaense, conforme dados da prefeitura, estava com 104% de ocupação. Curitiba tem 218.035 casos de covid-19 confirmados e 5.504 mortes.
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Segundo a médica do Siate, uma coisa está diretamente ligada a outra. Com os hospitais cheios de pacientes precisando de cuidados por complicações da Covid-19, a superlotação tem afetado os atendimentos de traumas e problemas clínicos.
“Atuo tanto na regulação, quanto na ambulância do médico do Siate e no helicóptero. A situação está caótica”.
A médica contou que, embora o foco esteja todo para a Covid, por conta da alta dos casos e da gravidade da situação, as outras situações não estão deixando de acontecer.
“Tanto as situações mais comuns como infarto e AVC, como casos de emergência também, os traumas. As pessoas estão dirigindo, estão viajando, sofrendo acidentes. Estamos pegando uma estrutura que já vem cheia e com o aumento da demanda de Covid está superlotada”.
Michele contou que, por diversas vezes, nas últimas duas semanas, os socorristas do Siate enfrentaram horas de fila para entregar pacientes que foram vítimas de vários tipos de traumas, até quedas em casa.
“É tão difícil para quem socorre, quanto para quem recebe nos hospitais. As ambulâncias param por horas, de quatro a cinco, para entregar pacientes que caíram de moto, sofreram acidentes. Coisas que antes eram rápidas, hoje estão demorando muito tempo. Isso também significa falta de ambulância na rua, atrasando o atendimento de quem precisa”.
Ambulâncias esperam por horas para conseguirem deixar pacientes de traumas.
Colaboração/G1 PR
A médica alertou que a situação tem afetado a forma com que os pacientes podem se recuperar dos acidentes. Isso porque, conforme ela explicou, quando não recebe o atendimento adequado, a pessoa pode acabar morta.
Ao postar o vídeo nas redes sociais, Michele disse que não quis apontar o dedo para apenas “um culpado”, mas sim fazer com que as pessoas entendam que todo mundo pode ajudar neste momento.
“Não adianta a gente, como população, tocar a vida normal e não fazer a nossa parte, deixando a responsabilidade para o governo. Precisamos contribuir para que os governantes possam agir. É um conjunto de ações e é isso que a população precisa entender”.
A bandeira vermelha em Curitiba veio para mostrar às pessoas que toda a população precisa ajudar, conforme explicou a médica. Ela alertou que são decisões simples que todos podem tomar, mas que surtirão resultado positivo.
“A mesma atenção que estamos tendo com a Covid19, temos que ter para o trauma: use cinto, dirija devagar, proteja as crianças. Se a pessoa sofrer um acidente hoje, não sabemos em quanto tempo ela vai receber atendimento no hospital. Então, não é momento de se expor, se não houver extrema necessidade”.
A médica lembrou que a estrutura hospitalar é a mesma, ou seja, com a grande demanda pelos atendimentos aos pacientes com Covid-19, outras situações acabam sendo prejudicadas.
“É por isso que insisto: não temos como evitar um AVC ou infarto, mas o trauma nós temos como prevenir. Por isso, evitem situações que possam te causar riscos neste momento”.
Diretor do HT alerta que não há vagas em hospitais de Curitiba.
Reprodução/RPC Curitiba
‘Chegamos no caos’, alerta diretor de hospital
O diretor superintendente do complexo Hospital do Trabalhador (HT), Geci Labres de Souza Júnior, disse que em 2020, no começo da pandemia, os números de traumas diminuíram. Isso, na época, ajudou a desafogar os hospitais.
“Mas passados os primeiros dois, tudo voltou ao normal. Hoje temos uma explosão de casos de Covid, associada a uma explosão de casos de traumas”.
Conforme o médico, os três prontos-socorros da cidade, o Hospital do Trabalhador, o Hospital Cajuru e o Hospital Evangélico Mackenzie, têm lidado com muita dificuldade. Os hospitais atuam no limite de todo tipo de recurso: equipamentos, insumos, espaços físicos e de pessoal, segundo Geci.
“Por isso o pedido de socorro da bandeira vermelha. É pela escassez de leitos, mas também pela escassez de profissionais. Não temos mais profissionais para serem contratados. E no caso do leito, em muitas situações, como o AVC, infarto e até casos de traumas, é uma garantia para as pessoas. Hoje não podemos garantir nada”.
Nas últimas semanas, o HT enfrentou uma situação caótica, segundo Geci. No hospital, todos os 30 leitos destinados aos traumas estão ocupados e, por isso, macas foram espalhadas pelos corredores.
“Tínhamos muitas macas nos corredores da unidade de emergência, demonstrando que os acidentes voltaram ao normal e até aumentaram com relação a antes da pandemia. Exemplo disso é o delivery, mais motos circulando. Quando falamos que não há mais leitos de UTI, é porque não há mais leitos de UTI para nenhuma doença, não só Covid”.
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Tática extrema
Conforme o diretor do HT, em acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), desde segunda-feira (31), os prontos-socorros deixaram de receber todos os pacientes socorridos. Casos que não precisam de hospital têm sido encaminhados à Unidades de Saúde (US) ou o próprio Siate atende e libera a pessoa.
“As coisas estavam caóticas. Por isso adotamos a política de que todo o trauma leve não vai ser atendido pelos prontos-socorros. Os três hospitais recebem apenas pacientes referenciados, que passaram por uma US, ou que o Siate triou e viu que precisa do hospital”.
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Informe na entrada do Hospital do Trabalhador alertando para a situação caótica.
Colaboração/G1 PR
Com essa medida, que o diretor do HT explicou como “tática extrema”, os hospitais conseguiram aliviar um pouco a situação crítica. Apesar disso, como explicou Geci, os leitos continuam todos ocupados e os casos graves continuaram chegando.
Geci disse que a única forma de amenizar a situação é a população ajudar. E não transitar desnecessariamente.
“Temos a necessidade que todos façam a sua parte. Se eu posso não sair de moto hoje, o momento de evitar é agora. De modo geral, evitem ir para o hospital nesse momento, porque, sim, os hospitais estão no limite. Não temos como fazer mágica”.

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