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Enfermeira suspeita de furtar testes de Covid-19 de hospital em MT vai responder em liberdade

De acordo com a Polícia Civil, ela foi presa pelo crime de peculato cometido contra a unidade hospitalar pública. Com ela, os policiais encontraram diversos kits utilizados para testagem da Covid-19 e também materiais usados estritamente no ambiente médico hospitalar. Uma enfermeira de 44 anos foi presa em flagrante pela Polícia Civil na madrugada deste domingo (11) suspeita de furtar testes de Covid-19 do Hospital Santa Casa em Cuiabá

Polícia Civil de Mato Grosso

A enfermeira de 44 anos que foi presa em flagrante pela Polícia Civil na madrugada deste domingo (11), suspeita de furtar testes de Covid-19 do Hospital Santa Casa em Cuiabá, passou por audiência de custódia e vai responder pelo crime em liberdade. Há suspeita de que ela furtava os testes para vender de forma particular.

A audiência de custódia ocorreu no início da tarde deste domingo. A Justiça entendeu que, pelo fato de ser enfermeira e pela falta de profissionais na linha de frente, ela deverá continuar atuando nessa área.

A Justiça também autorizou que ela continuasse no segundo emprego que tem em outro hospital. Caso seja demitida, deverá procurar outro trabalho na mesma área.

De acordo com a Polícia Civil, ela foi presa pelo crime de peculato cometido contra a unidade hospitalar pública. Com ela, os policiais encontraram diversos kits utilizados para testagem da Covid-19 e também materiais usados estritamente no ambiente médico hospitalar.

O caso foi descoberto após denúncia de que uma servidora da unidade que estaria furtando testes de Covid-19.

Na presença de uma recepcionista e de outras pessoas que estavam no local, os investigadores revistaram a bolsa da profissional e encontraram dentro de uma sacola plástica preta, diversos instrumentos e medicamentos utilizados para o teste de Covid-19.

Os investigadores foram informados de que nenhum servidor do hospital tem autorização para retirar medicamentos ou instrumentos hospitalares da unidade.

Versão da enfermeira

A profissional foi encaminhada para a delegacia e alegou desconhecimento sobre a maioria dos objetos encontrados em sua bolsa, somente reconhecendo os cateteres nasais, que disse ter o costume de “manter em sua bolsa” para atender emergência de estabilização.

Porém, em depoimento, ela respondeu que eram seus e que os utilizava em plantões particulares.

Um profissional de enfermagem ouvido na delegacia confirmou que todos os materiais encontrados com a enfermeira são de propriedade do hospital e que os códigos que constam são de controle interno da farmácia da unidade, como forma de saber como está sendo utilizado.

Ele informou ainda que a profissional detida tinha a função da triagem dos pacientes, o que não abrangia a realização de testes Covid-19, que é realizada por enfermeiros próprios da unidade hospitalar.

Ele destacou que servidor do hospital não tem autorização para sair com medicamentos ou instrumentos de trabalho.

A diretora do hospital compareceu à delegacia e também atestou a propriedade do material encontrado como sendo da unidade e frisou que os equipamentos de acesso venoso e nasal são de aquisição e uso estritamente médico hospitalar.

Outras informações coletadas pelos investigadores foram obtidas em conversa de aplicativo de mensagem do celular da enfermeira, que foi acessado pelos policiais com o consentimento formal dela e de seu advogado.

Em um trecho de conversa entre ela e um médico para acertar o valor de uma visita, a enfermeira pergunta se será necessário levar os materiais ou o paciente já tem, pois, caso tenha que levar, o valor cobrado será maior.

Na mensagem, ela diz que ‘vai ter que cobrar R$ 300 pois o material é muito caro e não consegue achar’.

Na mesma conversa, a enfermeira avisa ao médico que se ele precisar de qualquer material, ‘é só ele avisar que ela consegue também, pois quem não tem conhecimento hospitalar, pra comprar é complicado.’

O médico citado na mensagem também deverá ser investigado.

Flagrante por peculato

O delegado Caio Fernando Albuquerque, que atendeu o flagrante, explica que ainda que mesmo sendo contratada da Santa Casa, por exercer suas funções em unidade pública hospitalar, ela é equiparada a servidora pública, conforme previsto no Artigo 327 do Código Penal.

Albuquerque autuou a enfermeira em flagrante pelo crime de peculato (artigo 312 do CP).

A investigação ficará sob responsabilidade da 2ª Delegacia de Polícia de Cuiabá.

Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde (SES-MT) disse que a equipe responsável pela unidade de saúde já prestou todos os esclarecimentos necessários e o caso segue sob a investigação da Policia Civil.

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