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Com perfil criativo nas redes sociais, motorista de aplicativo consegue superar crise na pandemia em MT

Após perceber que o movimento de clientes havia reduzido, Daniel Prates, de 23 anos, postou em suas redes sociais as condições em que trabalha. Daniel Prates é motorista em Rondonópolis (MT)

Arquivo Pessoal

Um motorista de aplicativo, morador de Rondonópolis, a 218 km de Cuiabá, inovou na maneira de conseguir clientes durante a pandemia.

Após perceber que o movimento de clientes havia reduzido, Daniel Prates, de 23 anos, postou em suas redes sociais as condições em que trabalha.

Ao entrar no carro você não sabe quem tá mais cheiroso, eu ou o carro!

Faço corridas em Rondonópolis e região, capital do rodante pesado , aeroporto Maestro marinho, vou pro litoral e até pro Acre se quiser.

Se quiser contar teus chifres e problemas eu escuto e dou conselho.

Levo até a residência de namorado(a), ficante, amante, cliente, sigilo total!

Se quiser fazer ciúmes pro ex, digo “tchau minha vida” no final da corrida.

Levo pra motel, casa das primas, matagal, prédio abandonado, não ligo pro seus fetiches EU Quero ganhar dinheiro, até espero, só não participo.

Pra seguir o marido ou esposa que te mete chifre eu faço até 20% de desconto, porque eu gosto de ver é a confusão. Separo a briga se ele te bater.

Aceito pix, cartão, dinheiro.

O perfil chamou a atenção dos clientes, que passaram a chamar o motorista para diversas corridas.

Daniel conta que já passou por todas as situações descritas no perfil.

“Esse texto é antigo na internet, atualizei algumas informações, e como está tudo fechado, resolvi postar. Não imaginei que repercutiria tanto”, disse.

Ele diz que as corridas até os motéis costumam ser as mais engraçadas. “Motel são as mais engraçadas. O povo fica numa vergonha, como se o motorista fosse virgem’, diz ele com muito bom humor.

Ele afirma ainda que, em certos casos, não conseguiu concluir a corrida.

“Uma vez cheguei na casa do passageiro, daí a pessoa queria levar um bolo de 3 andares e uns 300 cookies. Não tive como realizar a corrida logicamente. Fiquei com medo de levar e derrubar tudo”, diz.

Outro caso que chamou a atenção do motorista foi quando seu carro atolou.

“Fui levar uma moça numa fazenda pra ficar com o namorado que mora e trabalha lá, na volta o carro atolou”, diz ele.

Outra situação que lhe rendeu prejuízo foi quando o pneu do carro estourou no meio de uma corrida.

“Um dia, chovendo, lá pelas 15h, busquei uma advogada que estava atrasada pra uma audiência. No meio do caminho furou o pneu em frente uma borracharia. O detalhe é que eu estava sem estepe porque na noite anterior havia furado o mesmo pneu. Chamei outro carro para atender a cliente e fiquei no prejuízo”, conta em meio a risadas.

Ainda segundo Daniel, ele nunca precisou separar uma briga entre passageiros, mas inúmeras vezes precisou pedir para que não discutissem dentro do carro.

“Uma vez, lá pelas 2h da manhã, busquei uma mulher na Casa das Freiras, no fundo da Igreja Bom Pastor. Já achei estranho sair uma mulher sair de lá e que não era freira. Fui levá-la na Vila Mamed. Ela disse que queria só ver se o carro do namorado estava realmente lá, só que chegando lá era um beco e sem iluminação. Eu falei que não iria, ela falou que desceria e ia ver. Ela desceu, sumiu no escuro por 2 minutos, e eu fiquei no carro trancado, com o carro ligado, engatado, pronto para meter o pé, e do nada a mulher sai do escuro e diz que o carro não estava lá. Começou a chorar e pediu para voltar pra onde eu a busquei”, contou, ressaltando que teve medo.

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