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Caso Tatiane Spitzner: Julgamento de Luis Felipe Manvailer avança em Guarapuava; veja como foi o terceiro dia


Terceiro dia do júri popular ocorreu nesta quinta (6) e terminou na madrugada de sexta (7). Advogada foi encontrada morta após cair do 4º andar do apartamento em que morava com o marido, em julho de 2018. Julgamento de Luis Felipe Manvailer chega ao terceiro dia de audiências
O segundo dia do júri popular de Luis Felipe Manvailer, acusado de matar a esposa Tatiane Spitzner, ocorreu nesta quinta-feira (6) e terminou por volta de 00h30 de sexta (7). O julgamento acontece no Fórum de Guarapuava, na região central do Paraná.
Nesta quinta-feira, foram ouvidas duas testemunhas – Marco Aurélio de Jesus Jacó, investigador da Polícia Civil, e Obadias de Souza Junior, assistente do IML. Veja os detalhes mais abaixo.
O quarto dia do júri popular começará por volta das 9h30. Até o momento, desde terça-feira (4), foram ouvidas sete pessoas.
Preso há dois anos e nove meses na Penitenciária Industrial de Guarapuava, Manvailer é acusado de homicídio qualificado – com as qualificadoras de feminicídio e morte mediante asfixia. Ele também responde por fraude processual.
Entenda o caso:
Tatiane Spitzner foi encontrada morta após cair do 4º andar de apartamento onde morava, em Guarapuava
Luis Felipe Manvailer nega ter matado esposa e não responde perguntas em depoimento
Imagens mostram agressões de marido a advogada antes dela ser encontrada morta
Julgamento foi adiado três vezes
Câmeras registraram agressões do marido a advogada Tatiane Spitzner no elevador do prédio
Câmeras de segurança
Veja como foi o 3º dia:
Depoimento de investigador da Polícia Civil
A sessão começou por volta das 9h. Durante toda a manhã, o Ministério Público e a assistência de acusação interrogaram o investigador Marco Aurélio Jacó, da Polícia Civil. Ele foi um dos responsáveis por tirar fotos do apartamento no dia seguinte à morte e também por analisar as imagens de câmeras de segurança.
No depoimento, Jacó revelou que dormiu no prédio na noite da morte de Tatiane, porque a namorada dele morava no 10º andar do edifício. Apesar disso, ele contou que não ouviu a discussão e acordou por volta das 8h.
O investigador também comentou vídeos das imagens de câmeras de segurança do prédio. Jacó disse que Tatiane foi agredida e que tentou fugir de Manvailer.
Segundo ele, as imagens, a fuga do réu e o laudo da criminalística apontaram que o caso se tratava de feminicídio, e não suicídio.
Pela tarde, Jacó foi ouvido pelos advogados de defesa do réu, que voltaram a questionar sobre a presença da testemunha no prédio no dia da morte de Tatiane e também sobre imagens de câmeras de segurança.
A defesa confrontou a testemunha com vídeos que, conforme o investigador, não eram de conhecimento dele pois ele verificou as imagens até o momento que Manvailer deixa o prédio de carro após levar o corpo de Tatiane da calçada para o apartamento.
O policial também respondeu perguntas sobre a investigação e foi questionado sobre possíveis falhas no processo.
Ainda durante as perguntas de defesa, Jacó respondeu sobre a reprodução simulada da queda de Tatiane. Ele foi confrontado sobre detalhes do procedimento, como se o réu Manvailer estava no local quando foi feita a simulação.
O depoimento dele foi o mais longo até o momento, com duração de oito horas.
Depoimento de assistente do IML
Depois, foi a vez da testemunha Obadias de Souza, o perito do IML que pediu para que o corpo de Tatiane voltasse da funerária para necropsia – antes, corpo havia passado por exame externo que constatou a morte da vítima por queda, o que deu origem à certidão de óbito.
Obadias explicou como funciona o trabalho dele de assistente de necropsia. Ele diz que não assina nenhum laudo, apenas auxilia os médicos legistas nos procedimentos.
Questionado se lembrava se estava de plantão no dia que o corpo de Tatiane foi ao IML, a testemunha disse que era o chefe administrativo do Instituto e que, como chefe, acabava assumindo algumas responsabilidades quando não havia profissionais disponíveis, como em alguns plantões.
Obadias era, além de chefe do IML, auxiliar de necropsia. No dia, havia outro auxiliar de necropsia de plantão. A testemunha se lembrou que acordou cedo e viu sobre a morte de Tatiane em um grupo de aplicativo de mensagens de servidores do necrotério do IML de Guarapuava. Ele diz que não lembra o horário, que estava indo à missa quando viu a mensagem.
Depois da missa, ele foi ao IML para cobrir uma outra ocorrência, porque um servidor não tinha comparecido para assumir o plantão do domingo. A testemunha contou que quando chegou ao IML o corpo de Tatiane já tinha saído de lá.
VEJA O TEMPO REAL DO 3º DIA DE JÚRI
Após resolver a primeira ocorrência, Obadias disse que perguntou do que se tratava a situação da Tatiane, e que o servidor disse que não sabia se de suicídio ou homicídio. A testemunha falou que o auxiliar de necropsia disse para ele que o médico-legista de plantão liberou o corpo apenas com exame externo. Obadias disse que o auxiliar era inexperiente, e falou isso sem saber que poderia ser uma informação grave.
No depoimento, Obadias afirmou que, segundo o auxiliar de necropsia, o corpo foi liberado por volta de 7h ou 8h para trâmites funerários, e que a funerária é quem busca o corpo. O perito disse que, quando o auxiliar fez esse relato, “soou todos meus alarmes”. Disse que não era a primeira vez que uma situação dessa ocorria, e por isso foi ao delegado pedir para expedir ofício para voltar o corpo.
O IML fica ao lado da delegacia, então Obadias foi a pé. Perguntado, ele disse que era o delegado Wellington, que já o conhecia de outros plantões, mas sem vínculo de amizade. O promotor questionou se o ofício foi entregue na hora e se deu alguma orientação, ao que a testemunha diz que fez o ofício em papel e orientou que o delegado fizesse os exames necessários.
Obadias diz que falou com o então diretor do IML do Paraná, Paulino Pastre – falecido na última semana -, por telefone, e disse o que achava que precisava ser feito. O contato foi feito depois de ter obtido o ofício com o delegado, mas antes de fazer os exames. Pastre disse que ele estava correto, que documentasse tudo, e que já avisaria todas as autoridades para dar a ele todo suporte possível.
Obadias disse, no depoimento, que fez o que o chefe dele determinou. Foi buscar o corpo na funerária, e foi um trabalho difícil, pois a família já estava pronta para o velório. Testemunha afirmou ainda que o pai de Tatiane, um tio e diversos amigos que demonstraram não estar contentes com o fato de ele ter ido retirar.
Obadias disse que um rapaz da funerária falou para ele que já tinham começado o processo de tanatopraxia, aplicação de formol no corpo. A testemunha disse que chamou Guilherme Ribas Taques para fazer os exames – que era o melhor médico do IML. Obadias contou que decidiu chamar também João Dias para participar do exame, porque uma junta médica poderia chegar a um resultado melhor.
Durante o depoimento, o Ministério Público questionou sobre as lesões de Tatiane e mostrou fotos do laudo de necropsia.
O depoimento de Obadias de Souza durou cinco horas e meia.
Segundo dia
Manvailer foi novamente coberto ao entrar no Fórum de Guarapuava
Barbara Hammes/G1
O segundo dia do júri popular de Luis Felipe Manvailer, chegou ao fim às 21h desta quarta-feira (5). Nesse dia, foram ouvidas três testemunhas – um vizinho do casal, um perito e o síndico da época do caso.
Relembre o primeiro dia de julgamento
Bruna Spitzner, prima de Tatiane, afirmou que os pais da vítima estão acompanhando o julgamento em casa. Segundo ela, a família está evitando saber muitos detalhes e aguarda o resultado final.
“É muito dolorido, porque a gente relembra e revive. Cada vez que o júri é remarcado, que o caso é relembrado, a nossa dor é aumentada”, disse.
Organização
No Tribunal do Júri as testemunhas são interrogadas em frente ao juiz, que está no centro da sala. À direita ficam os integrantes do Ministério Público e assistentes de acusação, e à esquerda, os advogados de defesa.
Perto dos advogados, no canto esquerdo da sala, está Luis Felipe Manvailer. Os jurados estão na parte direita logo na entrada.
A sala tem cinco telões e televisores, onde são exibidos documentos e imagens que estão no processo.
Júri popular de Luis Felipe Manvailer, acusado de matar a esposa Tatiane Spitzner
Reprodução/RPC
Relembre o caso
Tatiane Spitzner foi encontrada morta na madrugada do dia 22 de julho de 2018. De acordo com a Polícia Militar (PM), houve um chamado informando que uma mulher teria saltado ou sido jogada de um prédio.
Antes de Tatiane ser morta, imagens mostraram Manvailer agredindo a esposa. Veja imagens no vídeo abaixo.
Imagens mostram agressões sofridas por Tatiane Spitzner momentos antes da sua morte
A polícia informou que encontrou sangue na calçada do prédio, ao chegar no local. Testemunhas disseram que um homem carregou o corpo para dentro do edifício. Conforme a PM, o corpo de Tatiane estava dentro do apartamento.
Luis Felipe Manvailer foi preso horas depois da morte da advogada, ao se envolver em um acidente na BR-277, em São Miguel do Iguaçu, no oeste do Paraná. A cidade fica a aproximadamente 340 quilômetros de Guarapuava, onde o caso aconteceu.
Durante uma audiência de custódia, Manvailer negou que tenha matado a esposa e disse que a advogada cometeu suicídio.
IML conclui que advogada Tatiane Spitzner morreu por asfixia
Reprodução/JN
O acusado disse ainda que se acidentou porque a imagem de Tatiane pulando da sacada não saía da cabeça dele. Para a Polícia Civil, Manvailer tentava fugir para o Paraguai.
Em uma audiência de instrução, o acusado negou novamente que matou a advogada. Ele declarou que a família de Tatiane influenciou algumas testemunhas, que disseram na delegacia que haviam ouvido a advogada gritando durante a queda.
Caso Tatiane Spitzner: veja como foi o depoimento de Luis Felipe Manvailer
Segundo Manvailer, as testemunhas mudaram o depoimento nas audiências. No mesmo dia, o acusado preferiu não responder ao questionário feito pela Justiça e a audiência foi encerrada.
Luís Felipe Manvailer, professor universitário de biologia, era casado com Tatiane desde 2013, e o casal não tinha filhos.
Adiamentos
O júri popular de Manvailar havia sido adiado três vezes. Inicialmente marcado para 3 e 4 de dezembro, o julgamento foi adiado para 25 de janeiro, após um advogado de defesa do réu ser diagnosticado com Covid-19.
A segunda remarcação do júri ocorreu após pedido da defesa do réu por incompatibilidade de datas.
Em 10 de fevereiro, na terceira data marcada, cerca de três horas após o começo da sessão, os advogados de defesa afirmaram ter “o trabalho cerceado”, uma vez que o juiz não autorizou o uso de um vídeo da portaria do prédio onde aconteceu a morte como prova.
O juiz afirmou que o material não consta nos autos do processo e negou que o vídeo fosse exibido.
Apesar do abandono de sessão, Claudio Dalledone Júnior permaneceu como advogado do réu.
Após a ação dos advogados, o juiz considerou “abandono injustificado de plenário” e aplicou multa de 100 salários mínimos a cada advogado da defesa, além de definir a ação como “uma afronta ao processo, ao réu e à Justiça”.
A multa contudo foi retirada após uma decisão do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR). A decisão foi tomada por unanimidade, em sessão da 1ª Câmara Criminal, e atendeu a um pedido dos advogados.
Veja mais notícias da região no G1 Campos Gerais e Sul.

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