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Documentário revela que redes sociais manipulam as pessoas

Um dos documentários mais assistidos e comentados da Netflix em 2020 com certeza será: O Dilema das Redes, dirigido por Jeff Orlowski, o qual denuncia a manipulação de pessoas realizada pelas empresas de tecnologia por meio das redes sociais.

O roteiro é baseado em depoimentos de ex-funcionários de várias empresas do setor e que trabalharam diretamente na produção de softwares como Facebook, Instagram, Google, YouTube, Gmail, Twitter, Pinterest, entre outros – o que atribui autenticidade aos relatos.

Segundo os entrevistados, a indústria de tecnologia compete pela atenção de seus usuários, uma vez que o modelo de negócio vincula os ganhos financeiros à exposição das propagandas das empresas anunciantes aos internautas.

Por esse motivo, essa indústria está constantemente imbuída em fazer seus usuários permanecerem cada vez mais tempo conectados, olhando para uma tela.

Para isso, ela faz uso de vários mecanismos, com base em notificações de curtidas, de novas publicações, de comentários, de marcação em foto, de novo e-mail, etc. As notificações e atualizações sequenciais servem como reforço intermitente positivo.

Nesse contexto, o filme alerta: “Se você não está pagando por um produto, então você é o produto”.

Prejudicial

O problema é que o uso excessivo das tecnologias e o tempo de inserção no universo virtual, que é distorcido da realidade, tem provocado mudança de comportamento da sociedade, principalmente dos jovens.

Os estímulos gerados pelas redes penetram cada vez mais no tronco cerebral e alteram o senso de autoestima e a identidade das crianças, que precisam de aprovação social a todo instante (na forma de curtidas e comentários).

Essas circunstâncias forçam um ciclo vicioso que pode ser prejudicial, alerta o documentário.

Expostos a padrões irreais de beleza e exibição de alto padrão social, crianças e jovens estão cada vez mais ansiosos, frágeis e deprimidos.

O longa-metragem aponta que de 2009 até 2015 é gritante o aumento do número de suicídios de adolescentes, bem como de internações por autoflagelo.

Já houve até mesmo notícia de adolescentes querendo fazer cirurgia plástica para que ficassem com a mesma aparência de suas fotos com filtro!

Inconsciência

Outro problema é que a maioria das pessoas ignora o poder de influência das redes. Enquanto isso, as empresas de tecnologia exploram a vulnerabilidade do psicológico humano.

Conforme os depoentes, as empresas não vendem nossos dados, elas os utilizam para construir um modelo de usuário para prever nosso comportamento, quem somos e o que iremos fazer.

Em seguida, os algoritmos decidem o que irão mostrar para o internauta, visando aumentar o seu engajamento (permanência em atividade), para que ele gere crescimento (convidar e envolver outros usuários) e seja exposto ao máximo de propagandas possível (visando conquistar seus cliques para os anunciantes).

Conforme o longa-metragem, o Facebook descobriu que consegue até mesmo afetar o comportamento do mundo real e as emoções das pessoas sem nunca ativar a consciência delas.

Para prender a atenção dos usuários, as redes procuram exibir sempre informações que reforçam as opiniões deles. Isso pode fazer com que as pessoas tenham visões obtusas, em que somente enxergam aquilo que querem ver. Assim, a sociedade fica cada vez mais polarizada e dividida, o que traz desastrosas consequências para a democracia. Crescem as manifestações de rua e a manipulação de opiniões por meio das fake news lançadas nas redes sociais.

O ex-designer ético do Google, Tristan Harris, declara que a tecnologia é capaz de criar caos em massa, incivilidade, polarização, solidão, falta de confiança nos outros, populismo, distração e fraude eleitoral.

Se projetarmos o agravamento desse quadro nos próximos anos, há quem preveja que possa ocorrer até mesmo uma guerra civil.

Ao final do documentário, os entrevistados amenizam o tom, fornecendo dicas de como seria possível reverter essa tendência.

Fonte: pretonobranco

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