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Reflexos da pandemia. Cisop volta a funcionar com 30 mil consultas represadas

Após dois meses e meio fechado, o Cisop (Consórcio Intermunicipal de Saúde do Oeste do Paraná) retoma na próxima segunda-feira (1º) os atendimentos de consultas de algumas especialidades – com 30% do teto dos atendimentos -, conforme o Plano de Contingência elaborado para prevenção e enfrentamento do novo coronavírus, aprovado pelo Ministério Público.

O Cisop presta serviços de especialidade a 25 municípios da microrregião de Cascavel. Os atendimentos foram suspensos no dia 16 de março por conta das medidas de enfrentamento à pandemia. Nesse período, cerca de 30 mil consultas deixaram de ser feitas, ou seja, estão represadas. São agendamentos feitos e que foram desmarcados. Apenas casos urgentes foram resolvidos por telemedicina.

Volta parcial

Apesar de reabrir as portas na segunda, o fluxo será muito diferente do que era visto até o início de março deste ano. Conhecido por estar sempre lotado de pacientes, a maioria vindos de cidades vizinhas e que passava horas no local até a consulta, a partir da próxima semana o cenário será bastante diferente.

A retomada, além de ser com capacidade reduzida para um terço, retorna com atendimentos nas especialidades de: gestação de alto risco, pediatria, cardiologia, reumatologia, infectologia, neurologia, pneumologia, endocrinologia, psiquiatra, hansenologia (ramo da dermatologia que estuda especificamente a hanseníase) e tisiologia (parte da medicina que estuda a tuberculose). Ainda não há previsão de retorno de 100% das especialidades oferecidas, nem para voltar a capacidade total de atendimentos.

E agora, como fica? Municípios  devem organizar as consultas

A organização ou a reorganização das filas e dos encaminhamentos de pacientes para os atendimentos é de responsabilidade de cada prefeitura. A Secretaria de Saúde do município de origem dos pacientes é que deve reagendar o atendimento, comunicar os pacientes e encaminhá-los ao consórcio.

O transporte e os protocolos de segurança durante o trajeto que o paciente vai percorrer também devem ser feitos pelas prefeituras e seguindo os protocolos de segurança pré-estabelecidos.

A reportagem entrou em contato com algumas prefeituras para adiantar como pretendem fazer essa organização, e qual a fila de espera de cada uma, mas não responderam até o fechamento desta edição.

Cirurgias eletivas

Outra demanda reprimida na área da saúde provocada pela pandemia é a de cirurgias eletivas (não urgentes). Elas foram suspensas também em março, quando os hospitais começaram a ser organizados para um possível surto de covid-19.

Só que, ao contrário das consultas de especialidades, esses procedimentos cirúrgicos não têm data para serem retomados.

De acordo com a Sesa (Secretaria de Estado da Saúde), a média mensal em 2019 era de 39.972 cirurgias realizadas no Estado, totalizando 479.661 realizadas em todo o ano. Com base nessa média, se levarmos em conta que já não são realizados procedimentos desde 16 de março, o número de operações represadas pode estar perto de 100 mil, considerando todo o período de suspensão.

A reportagem tenta há meses acesso à fila de espera das cirurgias eletivas, mas sofre com jogo de empurra entre Estado e municípios e ainda não obteve os números.

Apesar de suspensas, as cirurgias continuam sendo pagas pelo governo aos hospitais. Isso porque a queda nos atendimentos colocou em risco a existência dessas instituições, já que, além dos procedimentos suspensos, muitos pacientes particulares têm evitado hospitais e adiado as cirurgias previstas.

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