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Separados pelo portão, idosos se exercitam com professores no quintal de casa, em Guarapuava

Atividades são oferecidas gratuitamente, durante a pandemia, pela prefeitura da cidade, que fica na região central do Paraná. Aulas de dança também são feitas pela internet.

 

Professores de educação físicas ajudam gratuitamente idosos a se exercitarem, em Guarapuava, na região central do Paraná. Os profissionais orientam as atividades físicas pelo portão da casa dos alunos, durante uma visita.

Separados pelos portões, com distanciamento seguro e usando máscaras, as atividades de porta em porta entre professores e idosos foram desenvolvidas após os serviços do Centro de Convivência da cidade serem suspensos por causa da pandemia da Covid-19.

De acordo com boletim da Secretaria de Estado da Saúde de quarta-feira (20), Guarapuava tem 20 casos de coronavírus. Em todo o Paraná, são mais de 2,6 mil diagnósticos confirmados e 137 mortes.

Mesmo em isolamento domiciliar, Maria Lúcia de Souza, 66 anos, não parou com a rotina de exercícios. A idosa, que mora no Distrito do Guará, frequentava os encontros do Centro de Convivência antes da pandemia. Agora, ela e o marido estão isolados em casa.

“Tô gostando, tá sendo muito bom. Ficar só em casa não tá sendo fácil. É importante a gente fazer os exercícios para não ficar parado”, disse.

Neste primeiro momento, sete profissionais de educação física têm focado em visitas nas comunidades mais distantes da cidade, como os distritos, onde a comunicação pela internet ou telefone é mais difícil.

Eduardo Bortolanza Bello, um dos professores que participa da ação, disse que, além do objetivo de cuidar da saúde física dos idosos, as atividades são importantes para a saúde mental.

“A gente conversa com eles, pergunta se precisam de alguma coisa, porque o diálogo é muito importante nesse momento. Muitos idosos vão nos grupos para conversar. É proporcionar que eles tenham mais uma atividade no dia-a-dia”, contou.

Na internet

Além das aulas nas portões das casas, os professores também fazem atividades ao vivo duas vezes por dia pela internet, de segunda a sexta-feira.

Apaixonada pela dança, Leony Camargo, 61 anos, não perde uma transmissão. E para ela não basta apenas participar. A funcionária pública aposentada faz questão de se vestir a caráter para as aulas.

“Na sexta-feira tem aulas de dança de Tradições Gaúchas. Eu coloco meu vestido e aqui em casa mesmo participo das aulas dançando”, contou.

Leony acompanha as aulas em casa, vestida a caráter — Foto: Leony Camargo/Arquivo Pessoal

Leony acompanha as aulas em casa, vestida a caráter — Foto: Leony Camargo/Arquivo Pessoal

Leony disse que participa de vários grupos há seis anos. Não acostumada a ficar em casa, a ex-funcionária pública relata que as aulas são uma forma de passar o tempo.

“Está fazendo com que passe essas horas que a gente fica em casa, dando uma amenizada naquele sofrimento de ter que ficar entre quatro paredes. Nunca esperava que com 61 anos de idade eu ia ter que ficar em casa.”

Vínculo

Atualmente, Guarapuava atende 1.200 idosos e 700 crianças e adolescentes com os serviços de convivência, segundo a prefeitura.

A coordenadora da Proteção Social Básica da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social de Guarapuava, Andréia Turkot, disse que a ideia de fazer o projeto veio da necessidade de manter o vínculo com os participantes.

A gente teve que se reformular para atender nosso público. Muitos idosos moram sozinhos. É uma forma da gente ajudar a evitar a depressão, porque estão muito isolados, sem contato com as pessoas”, afirmou.

A coordenadora disse que a secretaria aproveitou que os idosos tinham recebido cursos para aprender a mexer em smartphones e computadores para fazer as transmissões pela internet.

Os professores também estão desenvolvendo atividades de musicalização e brincadeira para crianças.

Redação Veco Noticias com informações G1 Paraná

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