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Mudar de carreira é assustador, mas pode ser determinante na sua felicidade

Visualize essas três situações: você tem mais de 40 anos, carreira consolidada, emprego fixo, salário fixo, benefícios como férias, décimo terceiro, fundo de garantira e com sorte participação de lucros. A essa altura, provavelmente você já constituiu família e há pessoas que dependem de você. Mas você não está satisfeito com o que faz. Está cansado, frustrado, não vê propósito, você mudou e não se encaixa mais naquilo que fez durante muitos anos. Você chegou num momento de crise e precisa mudar. Enquanto a mudança não acontece, o desânimo e a depressão podem estar te rondando.

Agora olhe para segunda situação: você tem mais ou está próximo de 40. Vem trabalhando com as coisas que gosta e que te satisfazem. Não há muita crise com relação à sua carreira consolidada. Os anos investidos em estudos e especializações renderam bons frutos. Só que você quer mais. O que faz hoje é bom, não te deixa triste ou deprimido, mas você quer mais. Você quer mudar, você sente que precisa mudar, quer se superar, quer ser desafiado, quer crescer de outra forma, quer achar novos propósitos.

Por fim, uma última situação que foge totalmente do seu controle. Quando não tem crise, nem insatisfação, não tem vontade de mudar o que faz, mas aí você é surpreendido por uma demissão ou pela falência do seu negócio.

Para as todas as situações um mesmo questionamento: e agora, o que eu vou fazer?

É fato que chegamos a um ponto de transformação da sociedade em que o trabalho formal (aquele de carteira assinada e “estabilidade” ) está perdendo forças. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) , o Brasil tem hoje 12,6 milhões de pessoas desempregadas. Mais de 38 milhões de brasileiros estão na informalidade.

Além deles há ainda os empreendedores, que hoje somam mais de 52 milhão de brasileiros.

Portanto, assumir os riscos da mudança é uma decisão difícil.

Para muitas pessoas, a decisão pode levar anos para ser tomada e pode complicar o quadro de insatisfação pessoal e profissional do indivíduo. Mas é preciso olhar para o problema de frente e calcular os riscos e benefícios da mudança.

PARTIU PLANO B

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A jornalista e blogueira Vanessa Brollo atua também como consultora e palestrante. Há 4 anos mantem uma coluna sobre empreendedorismo na Rádio CBN/Curitiba

Há muito o que refletir e pesar antes de começar algo novo. Para a jornalista e consultora, Vanessa Brollo, ter buscado entender como seria o seu novo caminho antes de sair do mundo corporativo foi essencial para lidar com toda a mudança. Depois de 27 anos na mesma empresa veio a demissão. “Toda demissão é um susto, mexe com a auto-estima da gente, mas ter uma noção de que eu já gostava de fazer me ajudou a direcionar a mudança”, afirmou.

A jornalista já vinha nos últimos anos se atualizando e buscando uma maneira de trabalhar a comunicação alinhada com o seu propósito de vida. Foi assim que nasceu o blog “Partiu Plano B“. Foi lá que ela se realizou contando histórias de pessoas que fizeram grandes mudanças em suas vidas, baseadas nas mudanças de carreira. “Profissionalmente falando foi essencial ter me atualizado quando ainda estava no emprego formal. Com o blog pude conhecer muitas histórias inspiradoras e contá-las também. Hoje o blog, que era já um prazer de fazer, virou o meu cartão de visitas, a exposição do meu trabalho. Por conta dele, hoje eu faço palestras sobre empreendedorismo e consultorias”, complementa Vanessa.

A dica da comunicadora para quem está pensando na mudança é manter-se em constante movimento. “Não há emprego, mas tem trabalho! Esteja sempre em movimento, conheça novas pessoas, pesquise a futura área de atuação ou atualize a sua área se for esse o caso. Se for empreender, que seja com algo que você goste muito, mas tenha consciência que também vai precisar lidar com os problemas. Não se vitimize e afaste a tristeza do processo”, orienta.

Para o consultor de carreiras Cassiano Marcelus, da Soul Gestão de Essência, todo mundo passa por uma fase aonde surge a necessidade de entender o seu propósito de vida. “Geralmente é perto da meia idade. Antes disso estamos muito envolvidos em ganhar dinheiro e colocar em prática tudo que viemos aprendendo. Acabamos que não temos nem tempo e nem maturidade pra pensar no porquê que a gente faz as coisas que faz. Na meia idade, a gente começa a perceber que talvez o trabalho nos sustente monetariamente, mas não sustente emocionalmente, não preenche as questões ligadas ao propósito. Sentimos muitas vezes que nossas necessidades não estão sendo preenchidas e aí vem a urgência da mudança”, diz o consultor.

Ainda segundo Cassiano, boa parte da crise vem também do fato de não termos sido orientados corretamente, ainda na juventude, sobre o que seria nosso ideal, nosso propósito, quais seriam nosso potenciais e qualidades. Para o consultor é fundamental que esses direcionamentos e questionamentos comecem cedo, o que poderia evitar tanta gente infeliz com o que faz.

INFELIZ NO TRABALHO

A infelicidade no trabalho gera uma série de doenças emocionais, entre elas a tão famosa Síndrome de Burnout. A síndrome  é um distúrbio psíquico que vem do esgotamento físico e mental e sua causa está intimamente ligada à vida profissional. Cada vez mais pessoas adoecem por dificuldade de mudar o que traz infelicidade no trabalho. A depressão e a síndrome do pânico também acompanham pessoas que se esforçam para manter situações que já não condizem com a sua busca pessoal. Em situações críticas como essas, antes de fazer um grande movimento de mudança é aconselhável buscar um profissional que ajude a pontar saídas, com serenidade.

DO SERVIÇO PÚBLICO PARA O ARTESANATO PROFISSIONAL

Foi exatamente o que aconteceu com a empresária e artesã Sarah Santos, hoje dona da marca Cora Artesanal e do espaço colaborativo Bendita.co . Depois 15 anos atuando no serviço

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Sarah Santos deixou o serviço público depois de 15 anos para se dedicar ao artesanato e hoje se sente feliz e realizada

público veio o momento crucial. Sarah conta que já não estava mais feliz, que se sentia desgastada no mundo corporativo e que, aquilo que fazia em seu trabalho, não fazia mais sentido. “Não me preenchia mais. Emocionalmente não fazia mais sentido para mim. Eu não conseguia enxergar a efetividade do meu trabalho”, conta a empresária.

Três anos depois de entrar em crise, Sarah conta que tomou a decisão de seguir a vida com aquilo que era sua paixão: o artesanato. Ainda quando estava no emprego formal já trabalhava com o artesanato para complementar sua renda. Curso atrás de cursos e especializações deram sustentação para que ela tomasse a decisão de sair do emprego e se tornar empreendedora. “Não foi fácil, vem o medo de enfrentar o mercado, o gelo na barriga , a gente demora pra se sentir capaz! Mas a força de amigos e familiares foi muito importante nesse período. Eu já trabalho com o artesanato há 50 anos e só fui me especializando, participando de feiras, bazares, foi assim que fortaleci minha marca”, explica.

Hoje a Bendita.co agrega e expõe trabalhos de 38 artesãos da cidade. “Não volto mais atrás, estou realizada, tenho desafios todos os dias, mas estou trabalhando com o meu propósito. O segredo é ter coragem, persistência e fé. Se você não está feliz, não está bem, tome as rédeas da sua vida e seja protagonista da sua história”, completa a artesã.

UM MAR DE POSSIBILIDADES

Em um mundo tão conectado como o de hoje, o que não faltam são ofertas de cursos online, gratuitos, palestras, consultorias, ferramentas de coaching, mentorias. Há vários instrumentos que alguém em crise pode lançar mão para encontrar orientações e caminhos. É o que faz a empresa do consultor Cassiano Marcelus. A empresa realiza projetos individuais e coletivos que resultam na materialização da essência e do propósito baseados nas potencialidades, nas habilidades indivíduo ou grupo, com objetivo de alcançar a realização desejada. “A Soul Gestão de Essência nasceu dessa proposta. Ajudar as pessoas e empresas  a encontrarem caminhos de realização e propósito. Quando você faz o que gosta, quando você tem o seu propósito definido, a sua produtividade aumenta muito. Você não só vai ter uma melhor remuneração, como você vai poder contribuir e colaborar melhor com a sociedade em que você está inserido”, explica.

DA PONTE AÉREA PARA O MUNDO DAS PIPOCAS

Para ex-comissária de bordo e hoje dona da Poá Pipocas Gourmet, Sarah Melo Duarte, 35 anos, a decisão de mudar de vida não envolveu sofrimento. Pelo contrário, casada com um comissário de bordo e com pouco tempo disponível “em terra”, o casal decidiu que quando tivessem filhos, Sarah ficaria cuidando do bebê. Foi aí que veio a oportunidade. “Isso nunca me assuntou, nunca foi um problema fazer a mudança, eu já vinha me preparando pra isso e hoje sou muito feliz com a escolha”.

Ao perceber o interesse de familiares e amigos nas variadas pipocas que oferecia nas festas e nos eventos ligados ao seu filho, a empresária viu a oportunidade de ganhar dinheiro e ter um novo desafio profissional, transformando em ganha-pão aquilo que já fazia por prazer.

 

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ex-comissária de Bordo, Sarah Melo sente-se realizada com a mudança radical de vida

Ela conta que precisou pesquisar muito sobre o segmento de mercado, além de fazer experiências com os produtos que ela criava pra entender a aceitação do público. A pipoca foi um sucesso e em apenas dois meses ela usou mais de 30 quilos de pipoca.

Para quem pensa em mudar de vida como ela, a empresária faz o alerta: “Acreditem no seu produto, seja qual for, na área que for. Acredite na sua capacidade. Persista, pesquise, se organize para a mudança. Não faça nada no impulso e esteja perto de pessoas que te apoiem na mudança, isso é fundamental”, reforça a empresária.

Especialistas apontam que é preciso ter calma e refletir bastante. Pesar na balança todos os prós e contras ajuda a desenhar o futuro. Conversar com pessoas que viveram situações semelhantes é sempre esclarecedor. O segredo está em fazer a transição com muita responsabilidade e serenidade.

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