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Como ajudar alguém que tem depressão?

O que você faria se alguém que você conhece dissesse a você que sente uma tristeza profunda, que não passa? Se essa pessoa perdesse o interesse por suas atividades? Ou até mesmo que não tem mais vontade de viver?

Estes são alguns dos sinais da depressão. Quando eles são persistentes, tendo motivo claro ou não, é preciso ficar alerta. Hoje, a doença é considerada a quarta maior causa de incapacitaçãono mundo pela Organização Mundial da Saúde (OMS). E são frequentes, até mesmo na mídia, casos de famosos que sofrem com ela – como o youtuber Whinderson Nunes, que se afastou do trabalho para o tratamento, e a blogueira Alinne Araújo, que cometeu suicídio após uma batalha contra a doença.

A depressão pode causar uma série de sintomas físicos, prejuízos à vida pessoal e relacionamentos e pode ter complicações. Mas ela tem tratamento e, com ele, é possível voltar a levar uma vida normal e feliz.

O primeiro passo é entender o que está acontecendo.

Depressão é doença

Segundo o médico psiquiatra Alexandre Serafim, é preciso ter a consciência de que a depressão é uma doença. A tristeza, falta de esperança, desânimo – todos estes sentimentos são causados por desequilíbrios na bioquímica cerebral. A oferta de neurotransmissores, como a serotonina, cai e, com isso, a sensação de bem-estar também diminui drasticamente.

Ou seja: depressão não é frescura, falta de esforço ou fraqueza. Como qualquer doença emocional, ela tem causas (genéticas, traumas, entre outras) e sintomas (pessimismo, desânimo, angústia, ansiedade, entre outros). E como qualquer doença, ela precisa de tratamento. “Ninguém fala para um paraplégico ‘levanta e anda’, é a mesma coisa para a depressão”, explica o psiquiatra.

Como agir?

Segundo Alexandre, ao perceber os sinais, é importante tentar manter a calma. “Esse tipo de situação costuma assustar bastante a gente. Manter a calma é fundamental tanto para quem está escutando quanto para quem está passando por algum tipo de sofrimento emocional”, explica.

O segundo passo é acolher. Aqui, é importante estar atendo à forma de oferecer a ajuda. É preciso evitar julgamentos e comparações. “É importante a gente não se colocar como referência de comportamento, não se colocar como referência para o outro: ‘olha como eu to bem’. ‘olha como minha situação é boa, a sua também pode ficar’”, exemplifica o psiquiatra.

Também é fundamental escutar de forma ativa. “Estar disponível emocionalmente para aquela pessoa e, com isso, tentar fazer ela refletir sobre a situação, fazer ela pensar no futuro, relembrar objetivos, desejos que ela tem ou já teve, para fazer com que ela fique motivada a caminhar”.

Se a pessoa se negar a conversar ou se abrir sobre o problema, é possível indicar outros caminhos. “O ideal, se a pessoa não quer conversar com você, é perguntar com quem ela gostaria de conversar, ou de repente indicar livros e filmes que você ache que ela pode se identificar e, a partir daí, ficar aberta a compartilhar o que está acontecendo com alguém”.

Outra opção é oferecer a companhia para alguma atividade, mesmo que simples, como assistir a um filme em casa. “De repente, em alguma atividade de distração, a pessoa começa a ver prazer em uma atividade que ela já tinha esquecido que era prazerosa”, afirma o médico.

Depressão em rede

As redes sociais têm desempenhado um papel central nas relações e não é diferente em momentos de dificuldades. Muitas pessoas recorrem a elas em momentos de angústia. Por isso, Alexandre também recomenda manter os olhos abertos.

Observe o comportamento em redes sociais. É muito comum pessoas que estão deprimidas fazerem postagens mais tristes, participarem de grupos que tenham ideias mais autodestrutivas, então ficar de olho no comportamento nas redes sociais é muito importante”, aconselha.

Este cuidado é essencial especialmente para evitar complicações mais graves. “Quem pensa em suicídio pede sim ajuda de alguma maneira. Pode ser na postagem ou em outro tipo de comportamento. Quem pensa em suicídio avisa sim”, alerta o médico. Ele explica que esse pedido depende muito de cada pessoa – algumas recorrem às redes sociais, outras a conversas com amigos, por exemplo. “Depende do jeito da pessoa, por isso, é importante quem for mais próximo perceber esse comportamento“.

Hora de buscar ajuda

Apenas profissionais capacitados estão aptos a lidar com as doenças emocionais de forma efetiva. Por isso, a ajuda que familiares e amigos podem oferecer é limitada e é importante lembrar isso. Alexandre explica que os passos acima podem ajudar, mas a atuação de amigos e familiares é limitada. “Passando disso, é melhor procurar um profissional”, enfatiza.

O diagnóstico só pode ser feito por um profissional e o tratamento é, em geral, realizado com um psicólogo e um psiquiatra. Ele pode durar semanas ou anos, dependendo de cada quadro.

Pode ser necessária a utilização de medicação, indicada sempre por um psiquiatra. Geralmente, são usados antidepressivos e outras substâncias que ajudam a regular a química cerebral e fazem com que o paciente se sinta mais tranquilo para trabalhar as questões que podem estar agravando seu quadro. É aqui que entra o trabalho do psicólogo, que vai ajudar o paciente a identificar problemas a serem superados para uma vida mais feliz.

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