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Moro fala sobre vazamentos por quase 9 horas, nega irregularidades e diz ser vítima de sensacionalismo

Em audiência pública que durou quase 9 horas, nesta quarta-feira (19), o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, prestou esclarecimentos sobre as mensagens trocadas com procuradores da República da força-tarefa Lava Jato. O conteúdo tem sido revelado por uma série de reportagens do portal The Intercept Brasil.

Moro entrou no plenário às 9h12. A audiência pública no Senado Federal foi encerrada pela presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senadora Simone Tebet (MDB-MS), às 17h49.

O ex-juiz, responsável por conduzir processos da Lava Jato por quase cinco anos na Justiça Federal em Curitiba, negou a formação de um conluio com o Ministério Público Federal (MPF) para direcionar as investigações que tratam sobre a corrupção na Petrobras.

“Não tenho apego ao cargo”, diz Moro

Sergio Moro foi questionado pelo “salto” da magistratura para a política. Ocupando o posto de Ministro da Justiça e Segurança Pública, ele foi questionado sobre o fato de ser, agora, o chefe da Polícia Federal (PF).

Para o senador Jacques Wagner (PT-BA), a situação poderia comprometer a imparcialidade das investigações. Ao questionamento, Moro rebateu:

“Não tenho apego ao cargo em si, se houver irregularidade de minha parte eu saio. Mas não houve, porque sempre agi com base na lei e de modo imparcial. Se o site divulgar tudo sem adulteração e sem a construção de interpretações, vai se verificar que minha atuação foi íntegra.”

Respostas evasivas

Por inúmeras vezes Sergio Moro disse que ele e outras autoridades tem sido vítimas de um “ataque hacker criminoso”. A versão é sustentada por ele e por procuradores da República, embora o portal The Intercept Brasil não tenha falado sobre a fonte dos vazamentos. O aplicativo Telegram, plataforma usada para a troca de mensagens, também negou ter sido vítimas de ataques cibernéticos.

A postura do ex-juiz foi criticada por alguns parlamentares, que esperavam respostas mais concretas ou contra-provas às acusações.

“O ministro trouxe três ou quatro mantras e tem repetido aqui. Da mesma forma que citou juristas que não enxergam o conluio, há outros juristas que dizem o contrário. Eu não quero tomar partido e nem jamais defenderei que se ponha fim à Lava Jato. Penso que a Justiça tem que ser imparcial. Dou um doce a quem disser o nome do atual juiz da 13.ª Vara Federal de Curitiba, e isso é prova de que sua postura é de sensacionalismo, de querer aparecer e de se colocar como salvador da Pátria”, atacou o senador Cid Gomes (PDT-CE).

Sem backup

O ministro Sergio Moro alegou não ter mais acesso às mensagens que trocou pelo aplicativo Telegram, e por isso não poderia refutar as colocações do portal The Intercept Brasil ou provar que os diálogos foram fraudados, editados, ou retirados de contexto.

O ex-juiz confirmou ter sido usuário do aplicativo, mas disse que não acessa a plataforma há mais de um ano.

“Eu saí do Telegram em 2017. Essas mensagens não ficam na nuvem. Eu saindo do aplicativo, essas mensagens foram excluídas. Se tivesse esse material, o hacker já teria apresentado. Se tivesse isso no Telegram, o hacker teria obtido essas informações”, afirmou Moro, em resposta aos senadores que pediam acesso à íntegra dos diálogos.

Repercussão

Enquanto alguns parlamentares criticaram a conduta do ministro e reclamaram por respostas definitivas, outros denunciaram a gravidade do fato de autoridades públicas estarem sendo vítimas de vazamentos de conversas pessoais.

A sessão, convocada pela CCJ, durou exatamente 8h37. Cerca de 40 senadores usaram a palavra para fazer perguntas ao ministro ou para emitir opiniões sobre a Lava Jato e sobre a conduta do ex-juiz.

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