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Inter sofre com falhas e falta de ritmo em estreia e ainda busca encaixe do ataque

 

O torcedor do Inter foi ao Beira-Rio pela primeira vez na temporada com esperanças para ver de perto a estreia da equipe titular em um 2019 com disputa de Libertadores Mas a expectativa de ver força máxima em campo deu lugar à frustração com a derrota de virada por 2 a 1 para o Pelotas, nesta quinta-feira, em casa, pela 2ª rodada do Gauchão.

A falta de ritmo de jogo e as falhas nos dois gols sofridos de bola aérea são causas óbvias para o tropeço. Mas o time carece ainda de um encaixe melhor à mudança na característica do ataque, com William Pottker na referência. E mesmo que tenha martelado e carimbado duas vezes – em vão – a trave adversária em busca do empate.

A necessidade de ajustes é natural. Depois de 20 dias só de treinos, os titulares respiraram pela primeira vez em 2019 o ambiente de jogo, com exigências bem maiores do que as expostas pela comissão técnica no dia a dia de trabalho. Sem um jogo-treino preparatório sequer, as dificuldades eram esperadas e foram sentidas pelos atletas.

O Inter ainda está distante de atuar na intensidade elevada que o conduziu à terceira colocação no Brasileirão de 2018. Mas já conseguiu reproduzir, em ritmo reduzido, muito dos conceitos e das ideias de jogo enraizados por Odair desde a metade do ano passado.

A equipe iniciou a partida com a marcação encaixada para pressionar a saída de bola rival, sempre com quatro jogadores cercando quem dominava a bola. Nos primeiros 15 minutos, o Inter conseguiu recuperar a posse já em seu campo de ataque para tentar agredir o rival.

As progressões com triangulações pelos lados também funcionaram, entre os laterais, extremas e meias… Até chegar às proximidades da área. Ali, o time esbarrava na falta de criatividade e de encaixe para encontrar espaço sem um centroavante fixo. Algo que terá de ser corrigido até a liberação de Paolo Guerrero, apenas em abril.

Escolhido para iniciar o ano mais adiantado, William Pottker dá uma característica diferente à referência do ataque, na comparação com Leandro Damião. Isso se reflete em duas situações distintas de movimentação.

O camisa 99 recua para procurar o jogo e abrir espaço para infiltrações e alterou bastante de posição com Nico López, se deslocando para a direita para permitir a aproximação do uruguaio (veja acima). É quase como se o atacante atuasse como um falso 9. E não há um jogador fixo para segurar a linha defensiva.

Além disso, Pottker tem a velocidade como virtude e gosta de receber a bola mais à frente, para ganhar do marcador na corrida e finalizar. Funcionou apenas uma vez: no lance do gol (veja abaixo). Todos os demais lances de perigo surgiram da individualidade – como a bola no travessão de Nico López – e não da criação coletiva.

No segundo tempo, sem espaço para este tipo de jogada, o atacante recebeu a bola no pé e teve dificuldades para segurá-la quando recebia a carga da marcação. Acabou substituído por Sobis.

Antes disso, Odair mudou o posicionamento do time. Primeiro, deslocou D’Alessandro para a direita, com Nico pela esquerda e Patrick centralizado. Mas o Inter só passou a ser incisivo com o ingresso de Neilton. No 4-2-3-1, o atacante usou seus dribles e a velocidade em tabelas para progredir pelo lado esquerdo. Mas ainda foi pouco para surtir efeito.

“Não gosto de perder. Tem que doer. Nunca será natural. Mas precisamos entender o quão no início está (o trabalho). O Pelotas teve duas situações perigosas e fez dois gols. Temos que dar os méritos ao Pelotas” (Odair)

Defensivamente, o Inter até foi pouco exigido, mas a falta de ritmo ficou nítida, por exemplo, na falta cometida por Rodrigo Moledo antes do segundo gol do Pelotas. E claro, as falhas na bola aérea castigaram a equipe com a derrota.

– O que nos atrapalhou foi a bola parada, não lembro de tanta chance de perigo deles. É corrigir e readquirir ritmo de jogo. Difícil falar em derrota que fizemos alguma coisa boa, mas deu para ver o entrosamento que ajuda bastante. As bolas paradas ofuscam isso. A derrota tira um pouco do trabalho – diz Edenílson.

O tropeço em casa dói, como o próprio Odair admitiu na entrevista coletiva e como os torcedores deixaram claro ao fazer ressoar uma vaia exigente após o apito final – em seguida, a torcida reconheceu o esforço com aplausos. O sentimento é natural e até lógico. Mas a dor tem um antídoto: a compreensão de que o trabalho ainda está em um estágio inicial.

Com o resultado, o Inter segue com três pontos na tabela do Gauchão e ocupa a quinta colocação. O elenco colorado se reapresenta para trabalhos na tarde desta sexta-feira. Na atividade, Odair cumprirá o planejamento traçado para o início do ano e dará atenção à formação reserva que enfrenta o São José no próximo domingo, às 17h, no Passo D’Areia, pela 3ª rodada do Gauchão.

Globo Esporte

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